O QUE VOCÊ VAI CONHECER NESSE CONTEÚDO?
ToggleA precificação reforma tributária mármores e granitos é o tema que mais preocupa empresários do setor em Cachoeiro de Itapemirim — e com razão.
O PIS e a COFINS, que hoje representam 3,65% sobre o faturamento, serão extintos em 2027 e substituídos pela CBS com alíquota estimada em 9,24%. Isso representa um aumento de aproximadamente 150% nessa linha de tributo. Portanto, para marmoristas, beneficiadoras e atacadistas de granito em Cachoeiro, os preços praticados hoje foram calculados com uma base tributária que vai deixar de existir.
Continuar cobrando o mesmo preço a partir de 2027, sem ajuste, significa aceitar redução direta na margem de lucro. Neste artigo, você vai entender como a reforma impacta a precificação no setor, como calcular o novo ponto de equilíbrio e o que fazer agora para proteger a rentabilidade da sua empresa.
Precificação reforma tributária mármores e granitos: por que os preços precisam mudar
No Lucro Presumido, o PIS e a COFINS funcionam hoje de forma simples: 3,65% sobre o faturamento bruto, sem crédito, sem complexidade. Esse valor já está embutido — conscientemente ou não — no preço dos produtos vendidos.
A partir de 2027, essa lógica muda completamente. A CBS entra com alíquota estimada de 9,24% — e as empresas do Lucro Presumido passam a se submeter às mesmas regras de creditamento do Lucro Real.
Para uma empresa que fatura R$ 200.000 mensais, o impacto é direto:
Hoje — PIS e COFINS cumulativo:
- Alíquota: 3,65%
- Valor mensal: R$ 7.300
- Valor anual: R$ 87.600
A partir de 2027 — CBS:
- Alíquota estimada: 9,24%
- Valor mensal: R$ 18.480
- Valor anual: R$ 221.760
Diferença anual: mais de R$ 134.000 — saindo diretamente da margem, se o preço não for ajustado.
A CBS é não cumulativa — mas nem todo crédito resolve o problema
Uma informação importante que precisa ser bem compreendida: a CBS é não cumulativa. Isso significa que a empresa pode abater o tributo pago nas compras de insumos, materiais e mercadorias.
Na teoria, isso reduz o impacto líquido do aumento. Na prática, para empresas de mármores e granitos, a capacidade real de gerar créditos depende do perfil de cada operação.
Atacadistas que compram grandes volumes de chapas e blocos de fornecedores no Lucro Presumido ou Lucro Real conseguem créditos relevantes — o que reduz o impacto líquido da CBS.
Marmoristas e beneficiadoras com alto custo de mão de obra, por outro lado, sentem o impacto de forma mais intensa. A folha de pagamento não gera crédito de IVA — e esse é o principal custo de muitas dessas empresas.
Além disso, o direito ao crédito depende da documentação fiscal correta do fornecedor. Fornecedores informais ou no Simples Nacional podem gerar menos crédito do que o esperado — impactando diretamente o cálculo do preço de venda.
Portanto, o crédito da CBS reduz o impacto, mas não o elimina. A empresa precisa calcular o impacto líquido real antes de definir quanto o preço precisa aumentar.
Como calcular o novo ponto de equilíbrio na precificação de mármores e granitos
O ponto de equilíbrio é o preço mínimo que a empresa precisa cobrar para cobrir todos os custos e tributos sem prejuízo. Com a entrada da CBS, esse cálculo precisa ser refeito em quatro etapas.
Etapa 1 — Mapeie os custos atuais Liste todos os custos de cada produto: matéria-prima, mão de obra, energia, frete, aluguel, manutenção de equipamentos e tributos sobre o faturamento.
Etapa 2 — Calcule o impacto da CBS líquido de créditos Com base nas compras que vão gerar crédito, calcule o tributo líquido efetivo — CBS sobre as vendas menos os créditos sobre as compras. Esse é o número real que entra na formação do preço.
Etapa 3 — Recalcule o ponto de equilíbrio Com o novo custo tributário em mãos, recalcule o preço mínimo de cada produto. A diferença entre o preço atual e o novo ponto de equilíbrio é o ajuste mínimo necessário.
Etapa 4 — Defina a estratégia de reajuste Com os números definidos, decida se vai repassar o aumento integralmente, absorver parte com ganhos de eficiência ou ajustar o mix de produtos para priorizar os de maior margem.

O impacto da precificação na reforma tributária ao longo da cadeia de mármores e granitos
O setor de mármores e granitos de Cachoeiro tem uma cadeia produtiva com múltiplas etapas — extração, beneficiamento, atacado e varejo. Por isso, o impacto da reforma na precificação não fica restrito a uma única empresa.
Quando a beneficiadora aumenta o preço para cobrir o impacto da CBS, o atacadista que compra dela tem seu custo aumentado. O atacadista, por sua vez, repassa esse aumento para o distribuidor ou marmorista. E assim sucessivamente até o consumidor final.
O efeito cascata é real — e quem não reprecificar antes vai absorver o custo de quem repassou primeiro. Portanto, a estratégia de precificação não pode ser analisada de forma isolada. É preciso entender como os fornecedores vão se comportar e qual será o novo patamar de custo de aquisição a partir de 2027.
Precificação, reforma tributária e competitividade no setor de mármores e granitos
Esse é o dilema real que empresas do setor vão enfrentar — e não tem resposta fácil.
Repassar integralmente o aumento da CBS mantém a margem, mas pode tornar o produto menos competitivo — especialmente em operações interestaduais, onde a empresa compete com fornecedores de outros estados.
Absorver o aumento sem repassar preserva a competitividade no curto prazo, mas corrói a margem e compromete a capacidade de investimento com o tempo.
A saída mais inteligente combina dois caminhos. O primeiro é ganhar eficiência operacional — reduzir custos que não geram valor para compensar parte do aumento tributário. O segundo é maximizar os créditos de CBS — garantindo que todas as compras elegíveis estejam documentadas corretamente e que os créditos sejam aproveitados integralmente.
Nenhum dos dois caminhos dispensa um planejamento tributário feito com antecedência.
O que fazer agora antes que 2027 chegue
1. Simule o impacto da CBS no faturamento atual Com base nos números reais da empresa, calcule quanto a troca de 3,65% por 9,24% representa em valores absolutos — e quanto pode ser compensado com créditos sobre as compras.
2. Mapeie fornecedores e crédito potencial Identifique quais fornecedores estão no Simples Nacional, no Lucro Presumido ou no Lucro Real. Isso define o volume real de crédito de CBS que cada um vai gerar.
3. Revise a tabela de preços com base no novo custo tributário O ajuste não precisa ser feito de uma vez — pode ser gradual, preparando o mercado antes que a mudança chegue.
4. Avalie o mix de produtos Produtos com maior valor agregado e maior margem absorvem melhor o impacto tributário. Além disso, rebalancear o mix pode ser mais inteligente do que simplesmente aumentar todos os preços.
5. Conte com orientação especializada O cálculo do impacto líquido da CBS envolve variáveis específicas de cada empresa. Um erro nessa análise pode levar a uma estratégia de precificação equivocada — e comprometer o resultado por anos.
Sua margem está em risco — mas dá para proteger com planejamento
A precificação na reforma tributária para empresas de mármores e granitos vai mudar — isso é certo. O que não está definido é quanto cada empresa vai perder ou ganhar, dependendo de como se prepara.
Empresas que simularem o impacto agora, mapearem seus créditos e ajustarem a precificação com antecedência vão atravessar a transição com margem preservada. Quem esperar vai fazer o ajuste de forma abrupta — com risco real de perder clientes ou comprometer a rentabilidade.
A Facilitta Contabilidade é um escritório de contabilidade em Cachoeiro de Itapemirim especializado no setor de rochas ornamentais. Se você quer simular o impacto da reforma tributária na precificação da sua empresa e definir a estratégia certa antes de 2027, fale com a nossa equipe — sem compromisso e sem enrolação.





